Imaginemos, pois, o cenário: numa ocasião de um sismo de grande amplitude, as linhas de telefone não estão disponíveis, os quartéis da Força de Socorro e de Segurança não resistem e os seus profissionais podem estar entre as vítimas; os veículos não circulam pelas ruas com escombros e as equipas de intervenção não podem acorrer a milhares de chamadas. Em casos reais, ao fim de quatro dias já não há ninguém sobrevivente.
Imaginar o cenário não é, contudo, suficiente, tanto mais que as pessoas tendem a ser afectadas pelo Síndrome da Boa Preparação. Quer isto dizer que acreditam que, por terem um bom plano, estão preparadas para enfrentar um desastre, o que lhes dá uma falsa sensação de segurança. Isto porque as pessoas se sentem preparadas para o que já lhes aconteceu e não para aquilo que lhes poderá vir a acontecer, esquecendo que o impensável é possível… Um bom plano consiste, portanto, em pensar no impensável, já que nem sempre é possível prever a forma como os indivíduos reagem sob pressão e segundo o instinto.
Neste sentido, as autoridades políticas utilizaram o seguinte slogan: “Diz-me e eu esqueço-me… Ensina-me e eu recordo… Envolve-me e eu aprendo.” Mas, por razões de saúde, só os adultos puderam participar e, mesmo assim, algumas das pessoas que faziam parte do simulacro entraram realmente em hipotermia e tiveram de ser levados para o hospital.
Se a ideia que deve estar sempre presente é que cada pessoa, nessas circunstâncias, só pode contar com os seus próprios meios para se salvar, o que é facto é que para se poder ter sucesso em missões como estas, é necessário haver um posto de comando, capaz de orientar as operações de uma maneira eficaz e organizar as acções de salvamento de uma forma eficiente.
Assim, é importante saber que cada município tem um único comando e que as áreas de actuação estão distribuídas por zonas, como por exemplo, de Reunião de Reservas ou de Reunião de Cadáveres, situadas nos comandos Norte e Sul, respectivamente.
Neste simulacro muitas foram as entidades que estiveram envolvidas, entre as quais podemos referir a Cruz Vermelha Portuguesa, o Corpo Nacional de Escutas e a Escola Nacional de Bombeiros, entre outras.
Registe-se ainda que, no decorrer deste simulacro, os Bombeiros Voluntários de Alenquer tiveram que atender várias chamadas súbitas e acorrer a um incêndio florestal, o que os impediu de estarem presentes de forma constante nas actividades do simulacro.
Foi-nos adiantada a possibilidade de haver um novo simulacro em Maio que, a confirmar-se, esperamos que corra melhor.