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 Máquina para Salvar o Mundo

Furgo.Desporto
     Era apenas uma vulgar rapariga, até ao dia em que salvei um nosso mundo. O meu nome é Carlota e tenho 12 anos. Nada consegue demover as minhas ideias e o meu maior desejo é tornar-me cientista. O dia de 18 de Julho de 2008 veio mudar completamente a minha vida… Vou contar-vos a minha história.



     Era mais um dia quente e eu estava na cama, a observar uma mosca que lutava pela sua vida ao deixar-se apanhar por uma aranha. As minhas férias eram sempre tão monótonas e cansativas que nem me dava ao trabalho de me distrair a correr atrás do cão do meu vizinho ou de apanhar os papéis que as pessoas deitavam no passeio. Decidi, portanto, espairecer e dar uma volta ao quarteirão, no intuito de ver o Ricardo, o rapaz que eu amo. Ele é o rapaz mais popular da escola e namora com a Jéssica, uma rapariga loira, de 16 anos. Apesar de ele ter 15 anos, não deixa de ser o rapaz certo para mim. Adoro rapazes mais velhos, fazem-me sentir desejada e confiante. Por outro lado, ele tem cerca de metade das raparigas da escola atrás dele!

     Quando dei por mim, já estava no quarteirão seguinte, ao pé da loja de antiguidades. Decidi entrar e cumprimentar o senhor João, o dono da loja. Ele é como um avô para mim e eu sou como uma neta para ele. Talvez ele seja uma das poucas pessoas que realmente gosta de mim. Por vezes, distraímo-nos durante horas a falar dos mais variados assuntos: moda, desporto, filmes, literatura,.. mas o que nos fascina mais é a ciência. Quando entrei na loja, reparei que algo se passava. O senhor João tinha um ar preocupado e estava particularmente tenso.

     Tentei perceber o que havia de errado, mas ele negava sempre a sua preocupação, afirmando que estava apenas cansado de trabalhar. Eu sabia perfeitamente que me escondia alguma coisa; por isso, pedi-lhe para ir espreitar o armazém, com a intenção de descobrir alguma pista. Quando cheguei lá a abaixo, a desordem reinava, mas o que mais me despertou a atenção foi uma secretária ao fundo do armazém. Nela encontravam-se montes de papéis, dos quais apenas um parecia estar intacto. Assim que peguei nele, apercebi-me que era uma carta. A caligrafia era perfeita e assemelhava-se à escrita de tempos antigos.

     Pensando que o senhor João não se importaria, decidi ler a carta. Quando acabei de lê-la, nem queria acreditar no conteúdo… Há 400 anos atrás, o tetravô do senhor João decidira construir uma máquina do tempo! Dera-lhe o nome de “Máquina do Tempo”, mas algo na sua experiência correra mal e a máquina, em vez de recuar no tempo, como o previsto, avançava nele. O mais interessante vinha a seguir: o avô do senhor João sabia que tempos difíceis estariam para chegar e pôs uma espécie de encantamento na carta para que, quando chegasse a altura, o senhor João fosse teletransportado para uma nova época, onde teria de salvar o nosso mundo. Mas… então, isso significava que quem estava a poucos metros de mim, era o senhor João; era pura e simplesmente o seu tetravô! Uau! Eles são incrivelmente parecidos!

     Nem sabia como encarar aquela situação… De repente, apercebi-me que havia algo escrito no canto no canto inferior direito da carta. Tentei perceber o que estava lá escrito e o meu coração deixou de bater quando li o seguinte: PS: Deverás levar alguém em quem confies e lembra-te: no momento em que fores buscar essa pessoa ao presente, não poderão voltar do passado, até terminarem a vossa missão.

     Mal tinha ainda reflectido sobre o assunto, ouvi um sonoro “Clic!” e alguém a movimentar-se no armazém. Peguei na primeira coisa que encontrei e caminhei secretamente ao seu encontro. Então, apareceu a figura de um homem de idade avançada com uns óculos em forma de lua. As suas vestes estavam rasgadas e cobertas de lama. Só então me apercebi de que se tratava do senhor João:

     - Senhor João, o que se passa? - perguntei eu, admirada e um pouco assustada.

     - Não tenho tempo para explicações. Por favor, vem comigo e já te explico tudo o que quiseres saber. – disse o senhor João.

     Peguei-lhe na mão e, vinda do nada, apareceu uma pequenina máquina, do tamanho do meu pé.

     - Entra dentro da máquina. – pediu-me o senhor João, já irritado.

     Decidi obedecer-lhe e enfiei o meu pé dentro da máquina. De repente, tudo se desvaneceu e senti-me como se estivesse a cair num buraco negro sem fim. Sentia a cabeça às voltas e não sabia como tudo aquilo iria acabar. Subitamente, estatelei-me no chão. O meu corpo estava dorido e, quando abri os olhos, não sabia onde estava. Era uma espécie de acampamento com cerca de cinquenta tendas triangulares. Montes de gente circulava por entre o espaço; outros dançavam e cantavam à volta de pequenas fogueiras.

     Perdera o senhor João, de certeza absoluta! Algo devia ter corrido mal. Estava já a entrar em desespero, quando ouvi uma voz familiar a gritar pelo meu nome. Virei-me e vi o senhor João com marshmallows, reunido à volta da fogueira, com mais cinco homens a conversarem numa língua diferente.

     Então, apercebi-me de que toda aquela gente era índia. Lembrei-me de ter visto uma vez um documentário na National Geographic sobre o modo de vida daquelas populações e achara muito interessante.

     Apreensivamente, juntei-me ao Senhor João. De imediato os índios se levantaram e me fizeram uma vénia. Eu agradeci-lhes com um sorriso, pois não sabia falar a sua língua. O senhor João chamou-me a atenção para que não saísse daquele recinto e afastou-se com um homem que, a avaliar pelo seu aspecto, deveria ser o chefe de toda aquela tribo.

     Como eu o admirava por conseguir organizar tudo aquilo! Parecia que as árvores dançavam uma dança de sons em comunhão com os pássaros. Àquela hora da noite, já se via o céu repleto de estrelas. Parei para reflectir um pouco sobre o que me acontecera. Num momento estava na loja de antiguidades do senhor João e, no outro, estava ali, num acampamento de gente desconhecida.

     Resolvi entrar numa das tendas e encontrei uma criança de estatura média, decerto da minha idade. Ela acenou-me, sorrindo e apercebi-me de que se tratava de um rapaz. Decidi entrar e sentei-me junto dele.

     Passados dez minutos, já sabíamos o nome um do outro. Ele chamava-se Yakari e era um rapaz super inteligente. Sabia desenhar na perfeição, como pude comprovar ao ver os seus desenhos. Reparei que em muitos deles tinha desenhado um vulcão, mas, como não o percebia, nem ele me percebia a mim, não lhe perguntei o significado daqueles desenhos. Uma hora depois, já nos tínhamos divertido imenso a fazer jogos de mímica e eu já me sentia bastante cansada. Despedi-me do meu amigo e fui à procura do senhor João.

     Encontrei-o a conversar com uma jovem extremamente bonita. Quando reparou que eu o esperava, despediu-se dela e veio ao meu encontro.

     - Suponho que estejas cansada e que queiras ir dormir – disse-me.

     - Sim. Estou muito cansada. Sabe, já fiz um amigo, o Yakary. Mas agora, o que eu queria mesmo era ir dormir.

     - Claro! Podes ficar na tenda ao lado da do Yakary. Amanhã às sete, irei acordar-te e partiremos para o vulcão. Ao pequeno-almoço explicar-te-ei tudo o que necessitas de saber.

     - OK, boa noite, senhor João.

     - Boa noite, Carlota.

     Dirigi-me à tenda e assim que encontrei um colchão, adormeci.

     No dia seguinte, acordara bem disposta e com vontade de partir para a aventura. Ao  pequeno-almoço, junto à fogueira, o senhor João contou-me que dentro de 450 anos (em 2009) o mundo iria acabar, se não fosse posta, dentro do vulcão, uma máquina de arrefecimento; a lava iria ascender à superfície e destruir tudo o que era vivo. Portanto, o que teríamos de fazer era construir essa máquina e colocá-la no centro do vulcão.

     Nesse mesmo dia, metemos mãos à obra e começámos a construir a tal máquina à qual chamámos «Máquina Para Salvar o Mundo». Dez dias depois, com a ajuda do Yakari, eu e o senhor João tínhamos construído a máquina e estávamos prontos para a aventura.

     Arrumámos todo o material de que iríamos precisar (corda, pregos…) e partimos para o vulcão. Depois de já termos feito metade do percurso, encontrámos uma gruta e, nela, abrigámo-nos. Descansámos um pouco e voltámos ao trabalho.

     Chegar até ao vulcão foi fácil, mas o pior estava para vir: a passagem era muito estreita e só uma pessoa e magra caberia nela. Só havia uma coisa a fazer: eu teria de enfiar-me por ali e colocar a máquina no centro do vulcão. Peguei na corda e comecei a descer. A temperatura aumentou bruscamente e sentia-me cansada. Depois de pensar que aquilo não tinha fim, senti os meus pés tocarem em algo sólido. Desapertei a corda e explorei o interior do vulcão. Foi então que descobri um rio circular de lava e, no centro, encontrava-se uma espécie de molde, onde a minha máquina parecia encaixar perfeitamente. Sabia o que tinha de fazer. Cheguei-me para trás, ganhei velocidade e… zás!, dei um salto que me pôs junto do molde. Encaixei a máquina e saltei de novo para o solo.

     Mas… algo não estava a bater certo! O solo tremia e estava a abrir fendas. Tinha de sair dali o mais rapidamente possível. Corri para a corda e subi o mais depressa de pude. Lá se encontrava o senhor João e, em dez minutos, tínhamos descido o vulcão. Chegámos ao local onde antes estava o acampamento mas, em vez dele, deparámo-nos com o tetravô do senhor João, que nos teletransportou dali para fora.

     Voltara tudo ao normal e estávamos de novo no armazém da loja de antiguidades. O tetravô do senhor João tinha desaparecido. Percebi que a «Máquina Para Salvar o Mundo» destruíra o vulcão, mas salvara o nosso mundo da destruição total.

     Voltei para casa com a sensação de que aquele fora o melhor Verão de sempre…


Carolina Silva
(9ºB)



 
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